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 Os Florais Perversos de Madame de Sade
Ruth Barros, Marcos Gomes e Heloisa Campos
Editora Rocco


 O livro triunfa na representação de um cenário tipicamente libertino, de carne e de espírito, à moda da literatura sadiana, bebendo no conteúdo pervertido de Justine ou de 120 dias de Sodoma. A protagonista do livro é Joséphine, a serviçal que não herdou a bondade natural de seus antecedentes, os índios brasileiros. Ao rememorar o passado, Joséphine volta à sua adolescência, época de perdição, quando vivia e trabalhava com os pais na mansão dos Montreuil, propriedade da família da esposa de Sade. Ali a gentil criada inicia-se num mundo de prazeres luxuriosos e se transforma na mais célebre dona de bordel de toda a história da França. A sua maldade fria e inescrupulosa torna-a definitivamente soberana numa sociedade dividida entre escravos e senhores. 
 A vida de Joséphine muda no dia de sua primeira menstruação. Não por causa das alterações hormonais típicas do período, mas devido a sua iniciação sexual, comandada a partir daquele mesmo dia por Sade. Aos 13 anos, Joséphine já sabe mais que a maioria das mulheres de seu tempo.
Além de apreciadora da Enciclopédia de Diderot, ela se entrega com avidez impressionante aos ensinamentos práticos do marquês, que passam por masoquismo, sexo grupal, homossexualismo e, é claro, sadismo, dentre outras formas de se obter prazer.A ascensão da jovem começa quando ela se entrega à prostituição, usando Marquesinha de Sade como nome de guerra. A alcunha lhe é atribuída pela criadagem do castelo do marquês no dia em que a menina é flagrada por Renée de Sade, a verdadeira marquesa, usando suas roupas e perucas, numa brincadeira de criança que lhe rende severos castigos. 
Com o tempo, a marquesa acaba condenando Joséphine a uma existência ainda mais miserável, levando-a a passar fome e a ter apenas um estábulo como abrigo nas gélidas noites de inverno da França. Ela jamais poderia imaginar que sua reles criada um dia se tornaria a mulher mais rica, bela e perversa do país, dona de seu próprio prostíbulo, a Casa da Madame de Sade, fonte maior de sua fortuna. O poder de Joséphine não está apenas no sexo, no dinheiro e em sua invejável cultura. Ela também é uma grande conhecedora das ervas, com as quais prepara florais capazes de lhe servir em todo tipo de propósito. Os florais da Madame de Sade curam, enlouquecem, viciam, provocam alucinações, atiçam os sentidos e até matam. A Gula, Preguiça, Inveja, Soberba, Ira, Luxúria e Ganância são as maiores riquezas de Joséphine.

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