david steinDavid SteinEssa frase surgiu em meados de 1983 (credita-se a David Stein) num dos relatórios do comitê GMSMA (Gay Male SM Activist é uma organização representativa no meio homossexual americano, sem fins lucrativos e comprometida com os interesses do SM e SSC.) e propunha uma conscientização sobre a necessidade de se praticar um SM seguro, desvinculando-o do comportamento autodestrutivo popularmente vinculado ao termo “sadomasoquismo”.

Sua aceitação, propaganda e popularização deu-se a partir da grande Marcha de Washington pelos Direitos dos Gays e Lésbicas pelo Contingente S/M - Leather em julho de 1987 e passou a figurar em inúmeros materiais promocionais, camisetas e boletins de divulgação da GMSMA. Na marcha de 1993 houve a consolidação durante a Conferência S/M Leather-Fetich e milhares de pessoas nos Estados Unidos e de outros países viram naquelas três palavras uma identificação imediata.

Isso também se deu pelo fato de que ninguém pôde controlar seu significado, a interpretação é individual, e sendo assim adaptou-se perfeitamente bem a grande maioria dos praticantes espalhados pelo mundo. Foi uma alternativa ao Rack e a Edge play que desobrigavam o uso da palavra de segurança.

O objetivo original não foi uma forma e nem um ideal para se definir o SM, foi uma alternativa segura e um compromisso viável entre parceiros para definir um comportamento aceitável ou não no relacionamento.

A questão do SSC é muito relativa e não pode ser vista de uma maneira simplista ou generalizada, nem tudo o que é seguro para uns o será para outros e vice-versa. Essa relatividade causa controvérsias e opiniões emocionais de ambos os lados, porém é uma situação que geralmente só o bom senso dos envolvidos pode equacionar.

O que muitas pessoas desconhecem é que em momento algum a GMSMA definiu ou limitou o SSC, houve um movimento no sentido de proporcionar o diálogo e oferecer alternativas seguras dentro desse ambiente, mesmo porque não é razoável tentar controlar as emoções alheias nos mais diferentes cenários e nas mais diversas vertentes, a idéia original consiste em oferecer escolhas, poder optar pelo bom e pelo ruim dentro das possibilidades de cada individuo e poder viver o SM dentro de um nível aceitável de risco.

Susan Wright, Diretora Política da NCSF (National Coalition for Sexual Freedom) e o sexólogo Ph.D Charles Moser prestaram contribuições importantes à comunidade BDSM com as seguintes orientações divulgadas pela NCSF sobre o SSC:

As organizações sociais e educacionais ligadas à comunidade BDSM consideram que as bases das atividades SM devem seguir as linhas do "são, seguro e consensual". Levando-se em consideração que podemos realizar qualquer atividade de maneira atropelada e perigosa, SM não é mais perigoso do que esquiar, por exemplo, ou do que qualquer outra atividade esportiva.

São

São é saber diferenciar entre a fantasia e a realidade. Avaliações fictícias sobre SM têm sido, muitas vezes, distorcidas com objetivos fantasiosos e, portanto, não representam a situação real dos relacionamentos que têm, por base, o SM.

São também é poder distinguir entre doença mental e sanidade. Uma maneira real de distinguir doença mental e sanidade é observando se o padrão de comportamento de um indivíduo causa problemas em sua vida. Lavar as mãos até tirar a pele ou de maneira tão freqüente que chegue a afetar suas atividades diárias, por exemplo, é um sinal de doença mental. SM, como qualquer outro comportamento pode ser um sinal de problemas psiquiátricos. Entretanto, a vasta maioria de seus praticantes considera que o SM enriquece suas vidas, inclusive reconhecendo melhorias em outras áreas de suas existências.

Seguro

Seguro é se conhecer as técnicas e preocupar-se com os itens de segurança que estão envolvidos no que você está fazendo, atuando, então, de acordo com esse conhecimento. Segurança envolve a responsabilidade de proteger você mesmo e seu parceiro das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), incluindo a infecção pelo vírus do HIV.

Enquanto a mídia freqüentemente oferece um retrato de comportamentos SM extremos, a realidade é que um grande número de BDSMistas não vai além de um divertido spanking. Assim como existem maneiras de se reduzir riscos de determinadas atividades, como mergulho em profundidade, por exemplo, ou até dirigir um carro, existem maneiras de se reduzir riscos e engajar-se num comportamento SM seguro.

A comunidade SM organizada é ativa tanto em promover seminários sobre segurança quanto no ensino das técnicas de como se engajar nessas atividades de maneira segura. O fato de praticantes SM não encherem salas de emergência de pronto-socorros todo o fim de semana é uma indicação de que esses programas funcionam. Parece óbvio que se as práticas SM resultassem, com razoável constância, em ferimentos, a imprensa estaria com os holofotes voltados a esses fatos, para o entretenimento de seus leitores.

Consensual

Consensual é respeitar os limites impostos por cada um dos participantes durante todo o tempo.

Consentimento é o ingrediente primordial, fundamental do SM. Uma diferença entre estupro e intercurso sexual é o consentimento. Uma diferença entre violência e SM é o consenso. O mesmo comportamento pode ser criminoso sem o consentimento e muito prazeroso com o consentimento.

O tipo e os parâmetros de controle são acordados entre os envolvidos e o consentimento de todos é necessário. Alguns participantes usam uma palavra de salvação, que é uma palavra escolhida para sinalizar que a cena deve diminuir de intensidade ou parar.

O SSC por si só não é suficiente para livrar-lhe de uma situação de risco, mas é um ponto de partida para o estabelecimento de relações com um nível de segurança maior.