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Ameaçado de ataque, um homem tem cinco alternativas: pode lutar, fugir, esconder-se, pedir auxílio ou tentar acalmar o atacante. Se o atacante for forte demais para ser enfrentado, se não houver lugar algum para onde correr ou onde se esconder, e ninguém para vir em auxílio, o apaziguamento será a única solução. É nesses momentos que ocorre o comportamento de submissão. A submissão passiva no animal humano é muito semelhante à de outros mamíferos. Em casos extremos, assume a forma de encolher-se de medo, abaixar-se, lamuriar-se e tentar proteger as partes mais vulneráveis do corpo. O único elemento exclusivamente humano acrescentado a essa manifestação é a súplica verbal e o rogo por compaixão. Uma vítima humana encurralada, levada a tais extremos, oferece uma cena patética, e em termos de sobrevivência animal é precisamente essa a função de uma manifestação de submissão. A fim de ter êxito, deve apresentar o indivíduo como tão incapacitado que mal vale a pena atacá-lo. A manifestação diz: “É este o estado a que você me reduziria se me atacasse, então para que se da ao trabalho? Já estou nesse estado". Apresenta um quadro de "derrota instantânea" e evita o lesivo processo físico de ser realmente derrotado.

Seu sucesso depende da apresentação de sinais que sejam o oposto exato dos sinais de ameaça da nossa espécie. Um homem ameaçador vai se postar diante de um adversário com o corpo tenso, o peito dilatado, o rosto brilhando, os punhos cerrados, a voz profunda e rosnante. Por contraste, o indivíduo submisso tenta fazer o corpo parecer tão pequeno e mole quanto possível, com os ombros arqueados, o rosto assustado, as mãos abertas, e a voz alta e choramingas. Desse modo pode apagar todos os seus sinais de ataque e passar muitas e muitas vezes a mensagem de que não deve ser tratado como um adversário.

Comportamento de submissão

As posturas acocoradas, submissas, de homens derrotados e feito prisioneiros durante a Guerra dos Seis Dias, entre Israel e Egito. Todas as manifestações de submissão humana envolvem ações que abaixam o corpo e fazem-no parecer menor.

O aspecto mais importante da submissão é fazer a pessoa parecer pequena. Isso se consegue de dois modos: enrodilhando o corpo e baixando-o em relação ao atacante. Ambos os elementos se vêem numa forma extrema no rastejador que está no chão choramingando, com o corpo transformado numa bola apertada, mas podem-se ver versões menos dramáticas em muita gente andando na rua. O perdedor a longo prazo, o fracassado social e o subordinado deprimido andam com uma permanente inclinação para a frente, ombros arredondados e pescoço arqueado, sua postura um fracasso ininterrupto.

O baixar e o enrodilhar do corpo não são agudos, são crônicos, exatamente como são crônicas as condições de submissão. O patrão do fracassado, seu superior, o tirano repressivo que o anula nunca o ameaça de atacá-lo fisicamente. Não há manifestação repentina e selvagem de punhos voando. A dominação é mais branda, mais prolongada, e o efeito que tem se reflete nas posturas submissas igualmente mais brandas e prolongadas.

A própria língua está cheia de referências a grandeza e a pequenez simbólicas. Dizemos: "Ele é um grande homem nos negócios"; "Ele faz que eu me sinta como se tivesse três metros de altura"; "Ele tem um grande nome no seu setor: ou "Ele é um homenzinho imbecil"; "O sujeitinho não é de nada"; "Ele faz que eu me sinta tão pequeno". Em nenhum desses casos estamos nos referindo à verdadeira altura física. Em cada exemplo o tamanho é um símbolo de status dominante ou subordinado.

Tão enraizada está a idéia relacionando pequenez ao coitado, que realmente afeta as chances de sucesso. Observações recentes revelam, por exemplo, que os bispos são em média mais altos do que os pastores; reitores de universidade são mais altos do que diretores de faculdade; e gerentes de vendas são mais altos do que vendedores. Além disso, homens baixos que sejam intensamente ambiciosos são notórios pela selvageria de sua agressividade quando conseguem atingir o topo, indicando a necessidade de compensar sua pequena estatura. Enquanto um homem alto que ocupa o topo pode se permitir relaxar, o tirano baixinho tem que continuar tenso, restabelecendo permanentemente sua posição. Napoleão, com um metro e sessenta centímetros de altura, é o exemplo clássico; mas esses homens representam a exceção à regra, e são raros demais para influenciar cifras médias gerais que mostram que, para ir em frente, o melhor é ter a cabeça alta. Se ser baixo, mesmo ao estar ereto, cria uma inevitável impressão de submissão, é claro, então, que é possível indicar uma intenção temporária de submissão com um ato deliberado de baixar o corpo. Se um homem derrotado se agacha passivamente no chão quando não tem outra escolha, o dominador que deseje momentaneamente renunciar ao próprio predomínio pode fazê-lo executando um gesto rápido e estilizado de baixar de corpo. Esse é o comportamento submisso voluntário, ou ativo — o mundo das mesuras e rapapés —, que desempenha um papel importante em muitos contextos sociais, mesmo hoje. Antigamente era muito mais difundido, mas, apesar do clima social cada vez mais igualitarista dos tempos modernos, ainda consegue sobreviver em muitas regiões.

A forma mais branda é vista quando um subordinado ávido por agradar inclina ligeiramente o corpo para a frente ao falar com um colega de status elevado. Fotos de propaganda do tipo "queremos agradar" freqüentemente mostram um vendedor com um rosto sorridente e o corpo inclinado na direção do leitor. Ele não está executando uma ação tão definida quanto uma mesura, mas a inclinação promete que ele poderia fazer isso. Os vendedores de lojas e armazéns, hoje, freqüentemente são carrancudos e eretos, mas não faz muitos anos sorriam e se curvavam repetidamente aos seus valiosos fregueses, quando lhes davam as boas-vindas, acompanhavam-nos até a porta e se despediam. Em alguns armazéns antiquados, ainda hoje se vê o pessoal mais idoso executando essa tradição.

Comportamento de submissão

"Dois homens se encontram, cada um deles acreditando se o outro de extração superior" - Uma das primeiras (1903) águas-fortes do artista suíço Paul Klee, apresentando mesuras exageradas, com as quais cada um dos homens tenta se fazer menor que o outro.

A reverência completa, hoje, é geralmente reservada a ocasiões mais formais. O corpo do reverenciador dobra-se a partir da cintura e a cabeça inclina-se num ângulo ligeiramente mais baixo do que o tronco. O gesto visa diretamente à figura dominante, que pode retribuir com uma versão mais moderada da mesma ação. O declínio da cerimônia da mesura ocorreu em velocidades diferentes em culturas diferentes. Sobreviveu melhor no Japão e na Alemanha, e pior nos Estados Unidos. Muitos japoneses e alemães ainda fazem uma reverência como parte das apresentações sociais comuns, ao passo que os americanos dificilmente o fazem, exceto como ato de zombaria. Em outras culturas, ocorrem mesuras de cabeça muito ligeiras nas saudações sociais, mas a reverência completa é reservada apenas para momentos especiais, tais como saudar personalidades importantes em ocasiões cerimoniais. Apenas no teatro e na sala de concertos é que a reverência sobreviveu com plena intensidade em virtualmente todas as culturas, quando os executantes tradicionalmente baixam o corpo como resposta ao aplauso da platéia.

Comportamento de submissão   Comportamento de submissão
A moderna cortesia, usualmente reservada apenas para a realeza (foto à esquerda), mas às vezes feita para outras personagens dominantes (foto à direita), já foi executada tanto pelos homens como pelas mulheres, até que a substituíram pela mesura. Na origem, a cortesia era um movimento de intenção de ajoelhar-se.

Em zonas onde os homens ainda usam chapéu, a remoção do chapéu, com ou sem uma mesura, é outro método de reduzir a altura do corpo e conseqüentemente atua como método adicional de submissão simbólica. Em séculos passados, a reverência era tão profunda que o chapéu na mão quase tocava o chão. Hoje o gesto, onde sobrevive, geralmente não passa de um toque de dedos na aba do chapéu — um símbolo simbólico.

Em países ainda presididos por uma família real, há oportunidades de se observarem as diferentes formas que a reverência toma na sua condição moderna, quase que de relíquia. Dignitários da província tendem a saudar as personalidades reais com mesuras impressivamente profundas, a partir da cintura, mas os que se encontram mais próximos da corte comportam-se de modo diferente. Presumivelmente porque usam a reverência com muito mais freqüência, abreviam-na a apenas uma mesura de cabeça, mas, a fim de demonstrar sua obediência à coroa movem a cabeça para a frente e para trás com arremetidas rápidas e vigorosas. É uma mesura que imediatamente alardeia a sua proximidade da coroa e, ao mesmo tempo, sua subordinação a ela.

As mulheres apresentadas à realeza ainda fazem uma cortesia como regra geral, mas essa forma de baixar o corpo não teve a mesma sorte da reverência e é extremamente rara em outros contextos, menos formais. A cortesia moderna, em que o tronco permanece ereto, mas o corpo se abaixa, tem uma longa e interessante história. O corpo é baixado dando-se um passo para trás com um pé e dobrando ambos os joelhos. É uma intenção de movimento de ajoelhar-se. A genuflexão completa era comum em tempos antigos, quando a pessoa se defrontava com um suserano, e caía ao chão sobre os dois joelhos. Isso mudou na época medieval, quando foi substituído pela meia genuflexão, menos extrema, com apenas um joelho chegando ao chão. Os homens eram então especificamente instruídos de que a genuflexão completa só era adequado apresentar a Deus, e que aos governantes, que finalmente se tinham tornado menos divinos, não se devia oferecer uma forma tão extrema de rebaixamento.

Na época de Shakespeare, a tendência fora avante, com a meia genuflexão já tendo sido substituída na maioria das situações pela cortesia . Mulheres e homens usavam-na como uma meia genuflexão simbólica e nesse estágio as diferenças entre os sexos eram apenas secundárias. Ambos os sexos dobravam os joelhos e ao mesmo tempo se curvavam para a frente. Por volta do século XVII, essa igualdade sexual perdeu-se, os homens concentrando-se no elemento de reverência do ato, omitindo o dobrar de joelhos, enquanto as mulheres conservavam o dobrar de joelhos e omitiam, ou reduziam, o elemento de reverência. Tudo o que, de modo geral, sobreviveu da mesura, na versão feminina, foi uma leve inclinação do corpo e um baixar dos olhos. Essa divisão entre os sexos iria perdurar definitivamente, exceto no teatro, onde as atrizes freqüentemente executam uma mesura masculina, ao lado dos colegas homens.

Comportamento de submissão

A mesura - uma antiga e muito difundida forma de abaixamento do corpo em submissão, na qual os olhos também são baixados e o rosto sai da vista. O exemplo acima é do Irã.

A história dos gestos submissos, dos tempos antigos aos modernos, é portanto uma história de servilismo resolutamente decrescente, com o ato de baixar o corpo tornando-se cada vez menos extremo. Apenas Deus parece ter conservado seu antigo status, e desafiar essa tendência. Os fiéis na igreja ainda lhe concedem genuflexão completa, enquanto governantes que não tiveram igual destino têm que se contentar com cortesias menores. Uma das poucas exceções a isso é a cerimônia de outorga de títulos de nobreza, em que ainda se oferece ao monarca uma meia genuflexão e a cabeça baixa. Mas mesmo aqui a ação de ajoelhar-se é abreviada pela providência de um banquinho estofado para o joelho direito, que em conseqüência não tem que descer integralmente até o nível do chão.

Comportamento de submissão   Comportamento de submissão
O ajoelhamento completo (à esquerda), reservado hoje apenas para Deus, também já foi efetuado diante de reis. Agora a realeza deve se contentar com uma semigenuflexão (à direita), como vemos aqui, durante uma cerimônia de investidura a um cavaleiro (na qual um governador-geral representa o monarca).

A fim de se encontrarem gestos de submissão realmente vis em situações formais, tem-se que retornar a dias muito remotos. Se se remontar a tempos suficientemente distantes, até a genuflexão completa começa a parecer tosca. Imperadores e príncipes todo-poderosos freqüentemente exigiam e recebiam daqueles que desejavam se aproximar deles a prostração completa. Nos reinos antigos, esses atos de humilhação eram executados por escravos diante do amo, por prisioneiros diante do captor, e por servos diante do suserano. O corpo era esticado de rosto para baixo, rente ao chão — a forma mais extrema de rebaixamento, superável apenas por um ato de sepultamento. A prostração tornou-se menos freqüente com o declínio do poder despótico, mas, assim como a genuflexão completa e a meia genuflexão, conseguiu sobreviver em alguns casos isolados, como no rito de ordenação dos padres católicos.

No Oriente, uma semiprostração era o kowtow, no qual o corpo não se alonga rente ao chão, mas primeiro faz uma genuflexão completa e depois se dobra para a frente até a testa tocar o chão. Isso também sobreviveu como atitude de quem reza, mas, assim como a genuflexão completa, não é visto em outros lugares hoje. O salamaleque parece ser uma forma abreviada de kowtow, exatamente como a inclinação de cabeça parece ser um gesto moderno e simbólico da genuflexão completa. No salamaleque, a mão primeiro é apertada contra o peito, depois contra a boca, depois contra a testa; e esse toque triplo é seguido de uma leve reverência de cabeça. Os toques simbolizam a pressão do corpo contra o chão, e o salamaleque na verdade diz: "Eu tocaria o chão com estas partes do meu corpo pelo senhor", com a leve mesura indicando a intenção de fazer isso. Hoje o mais provável é que os árabes modernos troquem apertos de mão, mas o salamaleque não desapareceu totalmente. Em todo caso, tornou-se ainda mais abreviado, algumas vezes não mais do que um rápido toque nos lábios. Assim como todos os gestos de submissão, está sendo lentamente erodido pelas atitudes e relacionamentos modernos.

Comportamento de submissão

Para muitos grupos religiosos, o ajoelhar-se é insuficiente. Em vez disso, recorrem a uma forma ainda mais extrema de abaixamento do corpo - o Kowtow -, na qual a fronte chega a tocar o chão. Este exemplo é da Malásia.

Destino semelhante abateu-se sobre a forma especializada de contato que é o beijo. Em tempos antigos, os iguais se beijavam igualmente — ou seja, cabeça com cabeça, ou nos lábios, ou nas faces —, mas aos inferiores nunca se permitiam tais liberdades com os superiores. Quanto mais baixo o nível de quem beijava, mais baixo tinha que ser o beijo. À medida que o status subia, o mesmo ocorria com o alvo do seu beijo. Partindo dos pés, progrediu até a barra de um vestuário, até o joelho, e finalmente até a mão. Antigamente se permitia aos bispos, por exemplo, beijar o joelho do papa, mas mortais inferiores tinham que se contentar com beijar a cruz bordada no seu sapato direito.

Beijar a mão, que é o menos extremo dos beijos de submissão, sobreviveu melhor até atualmente. Em certos países ainda é corrente um homem beijar a mão de uma senhora como ritual de saudações, embora mesmo isso esteja desaparecendo entre os homens mais jovens, à medida que as mulheres mais jovens lentamente perdem a superioridade social na sua luta pela igualdade comercial. O papa também perdeu um ou dois pontos na escala do servilismo, e os que obtêm uma audiência privada com ele agora têm permissão para beijar-lhe o anel na mão. Ao fazer isso, porém, devem descer à genuflexão completa, de dois joelhos, cortesia formal que, hoje, o papa compartilha apenas com Deus.

Comportamento de submissão   Comportamento de submissão
Quanto mais baixo o beijo, maior o ato da submissão. O beijo de mão (à esquerda) leva o corpo de quem beija até meio caminho do chão, mas é grandemente excedido em força pelo beijo no pé (à direita) executado aqui pelo Papa Paulo VI, numa cerimônia da Semana Santa.

Em toda essa questão de submisso baixar de corpo, há um aspecto que não pode ser negligenciado. Tradicionalmente, quando uma pessoa de nível inferior encontra uma de nível superior, deve baixar o corpo de algum modo; mas, se a de nível superior entrar numa sala onde a de nível inferior esteja sentada, esta deve levantar-se. Levantar-se para cumprimentar uma visita ainda é uma cortesia bem difundida em países onde o baixar de corpo, em qualquer situação, é raro. Quanto mais subordinada for uma pessoa, menos provável é que ela permaneça sentada na presença da outra em pé. Como o ato de erguer-se aumenta e não reduz a altura do corpo, parece ir contra a tendência geral de: submissão = pequenez. A explicação é que há dois sistemas diferentes operando. O primeiro diz que se duas pessoas se encontram, a inferior deve se baixar, e o segundo sistema diz que se alguém num grupo vai se descontrair, será o dominante. Aos subordinados não se permite que se descontraiam, a menos que o dominante já esteja descontraído e os convide a fazer o mesmo. Já que sentar é mais relaxante do que estar em pé, sentar-se é um ato mais dominante do que ficar em pé. Patrões se sentam e criados ficam em pé, atendendo às necessidades do amo. Mas, claramente, esses dois sistemas se chocam, já que sentar-se é estar mais baixo, em termos de postura do corpo. É por isso que, ao baixar o corpo de modo servil e submisso, a pessoa que tenta apaziguar uma outra tem que adotar posturas absolutamente específicas — a genuflexão, a mesura, o kowtow, a cortesia — que inconfundivelmente não são posturas sentadas nem descontraídas.

A natureza essencial do baixar submisso do corpo, portanto, é que deve ser desconfortável ou incapacitante. Pondo-se à vontade, um indivíduo dominante pode se baixar sobre uma almofada sem baixar o status. E existe uma antiga invenção que lhe permite fazer isso ao mesmo tempo: o trono. Sentando-se num assento especial, numa plataforma elevada, ele pode estar dominantemente sentado e, ao mesmo tempo, dominantemente acima dos subordinados. Desnecessário dizer que essa postura logo se tornou a favorita de monarcas, governantes e déspotas pelo mundo todo. Tão básico é o seu apelo em termos de sinal de status, que foi reinventado num sem-número de culturas, onde quer que exibições de nível elevado fossem exigidas.

Tendo-se em mente esses princípios gerais de comportamento de submissão, deve ser possível manipular deliberadamente uma situação para gerar um apaziguamento bem-sucedido. Se, por exemplo, o motorista de um carro é detido por um policial devido a ter ultrapassado o limite de velocidade, o mais provável é que reaja sentado no seu assento de motorista, discutindo com o policial, apresentando pretextos, e recusando-se a admitir o próprio erro. Isso é o que geralmente acontece, mas tal reação é essencialmente a de um rival não derrotado, e o policial é forçado a revidar. Se o limite de velocidade foi definitivamente ultrapassado, o policial estará indiscutivelmente numa posição dominante, e a única esperança de acalmá-lo e evitar uma multa é adotar um papel totalmente submisso. Isso requer que o motorista: (1) saia do carro — que é seu próprio território pessoal e portanto lhe dá status excessivo; (2) aproxime-se do policial antes que este possa se aproximar do carro — porque, quanto mais ele tiver que sair do seu caminho, mais estará sendo incomodado e, portanto, mais hostil se sentirá; (3) adote uma postura vacilante, abatida, inclinando-se para a frente, com uma expressão de ansiedade no rosto — porque isso transmitirá sinais de inferioridade; (4) utilize ardis verbais de submissão, tais como uma total admissão do erro, baseado numa grande estupidez pessoal, combinada com piadas visando a si mesmo e bajulação direta do policial — porque isso diminuirá o status mental do motorista e elevará o do policial.

Adotando todas essas técnicas simultaneamente, o motorista tornará extremamente difícil para o policial permanecer hostil e insistir numa multa. Malgrado seu, ele começará a se sentir mais calmo. Abandonando a postura sentada dominante no carro, retirando-se da sua fortaleza territorial, baixando o corpo no momento em que se pôs de pé, e juntando a submissão verbal da lisonja, zombaria e autocrítica, o motorista se terá despido de todas as qualidades de "oponente" e se colocará numa posição quase inatacável.

O emprego deliberado de manifestações de submissão desse tipo faz maravilhas em brigas, não só entre motoristas e a polícia, mas também entre pais e filhos, vizinhos, amigos, amantes e parentes. É de estarrecer o modo como a hostilidade desaparece quando defrontada com a submissão total. Há apenas um embaraço: para muitas pessoas, uma manifestação ainda que forjada de inferioridade, conscientemente assumida para solucionar um problema social, pode ser uma experiência desagradável demais. Pois é difícil agir de modo servil sem começar a ter a sensação interna de servilismo. É bem fácil recuperar-se rapidamente disso, mas o processo pode ser momentaneamente doloroso, e mais de um motorista preferiria rosnar e pagar a multa.

 

COMPORTAMENTO DE SUBMISSÃO

Talvez a forma mais estranha de comportamento de submissão em todo o campo do comportamento humano seja a reação de indivíduos sob hipnose. O hipnotizador é tido como capaz de pôr alguém "dormindo", mas na realidade o que faz é desencadear algum tipo de mecanismo de auto-inferiorização profundamente arraigado. Consegue isso empregando um conjunto de estratagemas de dominação, tanto verbais quanto visuais. Hipnotizador hesitante, modesto ou acanhado é coisa que não existe. Desde o início ele tem que ser veemente, autoritário, enérgico e totalmente no controle da situação. Exige obediência completa: "Ouça a minha voz...", "Você sentirá..." Nunca ocorre um "Por favor, ouça..." ou "Você talvez sinta..."; nunca qualquer dúvida ou debate, apenas instruções estritas. De algum modo esses recursos acarretam um estado totalmente submisso e os indivíduos podem então ser ordenados a se comportar de maneiras que não se vêem desde os dias de escravidão.

Numa forma muito mais branda, esse é o segredo do sucesso de muitos dos membros da sociedade moderna altamente colocados. O magnata, o chefão mafioso, o grande ator, o comandante militar e o tirano político irradiam, todos, uma sensação de ameaça de um tipo especial que de algum modo colide com o nosso mecanismo básico de submissão e desencadeia alguma coisa semelhante a um leve estado hipnótico. A maior arma que temos contra isso é a irreverência e o desrespeito. Qualquer cultura que perca tais qualidades logo estará perigosamente assolada pelo comportamento de submissão.

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